Artigo escrito

  • em 25.05.2009
  • às 10:53 AM
  • por sebraerj

Família tem que trabalhar para a empresa, e não, a empresa para a família 5

mai25

A tendência para uma profunda, urgente revisão nas empresas familiares é mundial, é intensa devido à brutal competição disparada pela Globalização. As alternativas são nítidas, de extremo: céu (a família trabalha para a empresa), inferno (a empresa trabalha para a família). Sucessão, formato de trabalho, capacidade, remuneração, novos parentes, desemprego, concorrência… Há emaranhado de fatos a ser destrinchado e ajustado para se dar rumo à empresa familiar.

Segundo o consultor Ivan Lansberg, entre 70 e 85% das empresas no planeta são familiares. No Brasil, pelas estatísticas do Sebrae a porcentagem é de 85%. Conforme apuração do IBGE, 50% do PIB estão concentrados nestas empresas. Dos 300 maiores grupos brasileiros, 265 são familiares. Nos EUA, 110 universidades têm cadeira com graduação em negócios com esta particularidade. Ganham assiduidade eventos que abordam ou que são dirigidos para o tema.

Obrigatoriamente, a família tem que limitar na empresa as interferências de parentes, misturas de ambientes, de assuntos, ranços domésticos e adotar, de forma terminante, um padrão de gestão e profissionalismo. Não é tarefa simples, em especial num país onde a cultura empresarial é baixa e a população é emocional-informal. Pelas próprias raízes, pelo jeito e jeitinho de ser do brasileiro, questões familiares afloram com facilidade até mesmo nos horários exclusivos de trabalho.

Hoje as famílias precisam cortar os efeitos destas raízes, estão sem saída. É inadiável a adaptação dos seus negócios às regras do mercado escritas com a tinta da competição. Não há espaço para todas as empresas e nem para todos os profissionais; negócios e pessoas disputam posições acirradamente; a empresa tem que superar concorrentes pela competência e os parentes necessitam dar segurança às suas vidas dentro das próprias lojas, indústrias ou escritórios. Em síntese, a empresa da família tem que ser também empresa do mercado para a sobrevivência coletiva!.

Uma solução é estabelecer um Acordo Empresarial-Familiar para dar sólido destino, para conscientizar, extinguir desgastes familiares que contaminam equipes, clientes e fornecedores. Não adianta resolver relações familiares sem gestão eficiente na empresa, assim como não adianta resolver a gestão sem ajustar relações familiares. O Acordo garante o negócio, previne possíveis discordâncias domésticas, já que inclui definição de metas pessoais e profissionais de cada um, visão e interesse na empresa, formato de trabalho (função, expediente, remuneração, férias…), reuniões vitais e estruturais, sistema de admissão, em suma, o Acordo é personalizado segundo a loja, indústria, escritório ou serviços.

Estatísticas do IBGE revelam que a cada 100 empresas familiares, 30 chegam à 2ª. geração e só 5 alcançam a 3ª. geração. Não informam como sobreviveram… A complexidade para se manter neste segmento em meio a alta competitividade é que leva instituições empresariais a se dedicarem ao tema.

Se a solução da empresa familiar é motivo de segurança para parentes que já estão no mercado, imagine o que representa para as novas gerações, que chegam espremidas pelo desemprego e angustiante dificuldade para achar horizontes. É enorme a responsabilidade de quem está à frente deste tipo de empresa, uma vez que passa também a ter vínculos com o amanhã dos herdeiros, parentes e de outras pessoas que estão na sua estima e mexem com o seu coração.
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Sobre o autor: José Renato de Miranda é autor do livro Gestão e Marketing, cap. esp. Empresa Familiar. Consultor Sebrae, CDL, Fecomércio, idealizador e coordenador do 1º Núcleo de Orientação Para Empresa Familiar do Estado do Rio. Visite o site do autor www.empresafamiliarconsultoria.com.br.
Este artigo é de responsabilidade do seu autor não refletindo, necessariamente, a opinião do Sebrae/RJ

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Existem 5 comentários para este assunto

  1. Rosane Rosa disse:

    Apenas para deixar o meu testemunho:Participo há 2 anos e 5 meses da tentativa de profissionalização da empresa da minha família.Apesar de ter ampla experiência em gestão e varejo,realmente santo de casa não faz milagre,tem sido muito difícil implantar processos e gestão,pois alguns dos meus irmãos insistem em continuar com hábitos do passado,resistindo em mudar de atitude no que se refere a ocupar as funções e responder por elas de modo claro e objetivo.
    Você poderia me sugerir alguma coisa para acelerar esse processo.
    obrigada
    abçs,
    Rosane

  2. Reinaldo disse:

    Teoricamente, é assim que tem que ser, mas acredito que na pratica tem que haver uma intensificação de treinamento pra cada membro da família, o que é difícil mesmo porque alguns não concordariam, numa empresa não familiar insisti-se com funcionários e tem como cortar essas raízes, numa família, falar em cortar é mais uma nova polêmica, então o que fazer na prática?

  3. José Renato de Miranda disse:

    Reinaldo e Rosane, favor entrar no site http://www.consultoriadeimpacto.com.br para contato. Obrigada, Raquel Mendonça . Assistente Administrativa

  4. Elcio Cruz disse:

    Realmente muito complicado, já me dismotivei com negócios em família vaidades e outros fatores internos é que quebrão a firma,fatores externos não abala, só competição interna.

  5. Luiz A. Renaud disse:

    Sou Consultor de Empresas e asseguro que a orientação de uma consultoria, (que traz uma visão isenta) é uma importante alternativa para empresas familiares se profissionalizarem.
    Venho atuando com sucesso há anos nesse tipo de trabalho.

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