Artigo escrito

  • em 15.08.2010
  • às 02:19 PM
  • por sebraerj

Como agir quando o consumidor não busca seu produto de volta? 151

ago15

Muitas vezes nos deparamos com situações onde alguns consumidores “esquecem”, em caráter permanente, os produtos deixados para a realização de determinados serviços nos estabelecimentos das empresas onde esses serviços foram prestados. Isto costuma acontecer com serviços de reparos de calçados, roupas, bolsas, bicicletas e até mesmo em lavanderias.

O que empresário pode fazer quando isto acontecer?

Este é um assunto complexo que merece uma análise cuidadosa. Vejamos inicialmente o que os órgãos de defesa dos consumidores dizem a este respeito.

Posição dos órgãos de defesa do consumidor:

O posicionamento dos órgãos de defesa do consumidor é no sentido de que o prestador de serviços não pode, em nenhuma hipótese, vender ou doar o produto deixado pelo consumidor para receber algum tipo de serviço, exceto se houver autorização judicial para isto.

A justificativa para essa posição é que essas entidades entendem que existe um contrato tático (implícito, que apesar de não ter sido expresso é subentendido pelas partes) de depósito entre o consumidor e o prestador de serviços referente ao produto deixado no estabelecimento para receber os serviços combinados, cuja matéria é regulada pelo Código Civil.

Acontece que o Código Civil, ao tratar desses depósitos, estabeleceu em seu artigo 629 que o depositário (aquele que recebe o produto) é obrigado a guardá-lo, conservando-o com cuidado e diligência, restituindo-o quando isso for exigido pelo depositário (aquele que entregou o produto).

Além disso, o Código Civil estabelece que o depositário que não pode dispor do bem depositado (vendê-lo, doá-lo, tomá-lo para uso próprio), e se ele fizer isso responderá ao depositante pelas perdas e danos causados (art. 640), não podendo sequer vender o referido produto para compensar eventuais dívidas que o depositante tiver com ele (art. 638).

Em se tratando de depósito, a única alternativa deixada pelo Código Civil para o depositário se livrar da obrigação da guarda do bem depositado é ingressando na justiça com uma ação requerendo o depósito judicial daquele bem (art. 635).

Entretanto, como aplicar essas orientações no caso das micro e pequenas empresas que dificilmente possuem recursos financeiros para arcarem com ações judiciais requerendo o depósito judicial ou outra medida do gênero, não dispondo sequer de espaço disponível para a guarda desses produtos?

O combinado não é caro:

Uma alternativa sensata e legal para lidar com este tipo de problema é combinar com seu consumidor, sempre por escrito, o que será feito se o produto não for retirado pelo cliente dentro de determinado prazo.

Isto pode ser feito incluindo no próprio orçamento um campo onde o consumidor se declare “ciente” e “de acordo” com as seguintes cláusulas:

1ª) A manutenção do produto junto ao seu estabelecimento não configura nenhuma forma de depósito. Esta cláusula serve para evitar assim que algum órgão de defesa considere que houve depósito tácito;

2º) O consumidor autoriza prévia e expressamente a doação para uma entidade de caridade daquele produto caso ele não seja retirado dentro de determinado prazo, isto nos casos em que o serviço tiver sido pago antecipadamente; ou,

3º) O consumidor autoriza prévia e expressamente a venda do produto para o pagamento dos serviços efetuados, tendo direito ao recebimento de eventual saldo positivo ou tendo o dever de efetuar o pagamento da diferença restante, conforme o valor apurado com a venda do produto e o seu débito.

É importante frisar que, em qualquer um desses casos, o prestador de serviços deverá guardar tanto o recibo da doação feita como o da venda, pelo prazo de no mínimo 5 anos, apresentando-os quando solicitado pelo consumidor.

Esperamos que com essa medida simples o empresário tenha maior segurança para o desenvolvimento de suas atividades, ao passo que os consumidores tenham maior responsabilidade na contratação desses tipos de serviços.

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Sobre o autor: Boris Hermanson é consultor Sebrae-SP

Este texto é de responsabilidade do seu autor não refletindo, necessariamente, a opinião do Sebrae/RJ

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Existem 151 comentários para este assunto

  1. alice disse:

    BOA TARDE , SOU FUNCIONARIA DE UMA LAVANDERIA E O OCORRIDO FOI O SEGUINTE SEGUINTE: um cliente deixou umas 5 peças na lavanderia dia 17 de JANEIRO EM UM SÁBADO FINAL DE EXPEDIENTE COLOQUEI AS PEÇAS EM UMA BOLSINHA PARA DESCRIMINAR PEÇA POR PEÇA NA SEGUNDA E ASSIM FOI FEITO MAIS QUANDO FUI OLHAR DIREITO A PEÇA VERIFIQUEI UM FURO EM UM DOS VESTIDOS IMEDIATAMENTE FOI LIGADO PARA O CLIENTE PARA INFORMAR O DEFEITO E SABER E A PEÇA PODERIA SER LAVADA OU NÃO , A PEÇA NÃO FOI LAVADA E FICOU NA LAVANDERIA PARA O CLIENTE VIM OLHAR A PEÇA NO DIA 20 DE FEVEREIRO COM MAIS DE UM MÊS O CLIENTE VEIO BUSCAR AS PEÇAS E NÃO AUTORIZOU A LAVAGEM DA PEÇA LEVANDO -A DEPOIS DE UM MES NO DIA 31 DE MARÇO DE 2015 VEIO COM SUAS 2 FILHAS E ELE DIZENDO QUE A PEÇA FOI DEIXADA EM PERFEITO ESTADO E QUE TINHA SIDO NA LAVANDERIA O FURO MAIS O QUE ACONTECE QUE A PEÇA NÃO FOI LAVADA E O CLIENTE QUER OUTRA PEÇA QUE É NO VALOR DE 500.00 , ME PRESSIONARAM A COMPRAR OUTRA PEÇA E ACEITE TAMBEM PARA NÃO PERDER O EMPREGO E ELES COM TOM AUTORITARIO E BASTANTE NERVOSOS PEDIRAM PARA EU ASSINAR A NOTA DIZENDO QUE IRIA PAGAR , QUANDO ME ACALMEI ME DEI CONTA QUE ACEITEI MAIS A PEÇA NÃO FOI LAVADA E LIGUEI PARA FALAR NOVAMENTE COM A CLIENTE QUE MUITO NERVOSA VEIO E DISSE E IRIA COLOCAR NA JUSTIÇA SE EU NÃO PAGASSE A PEÇA O QUE DEVO FAZER?

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